quarta-feira, 8 de julho de 2009

Simplesmente, Ed! - Parte I

Guardar
Guardar uma coisa não é
escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda
coisa alguma
Em cofre perde-se a
coisa à vista
Guardar uma coisa é
olhá-la, fitá-la,
mirá-la por admirá-la,
isto é, iluminá-la ou ser
por ela iluminado
Guardar uma coisa é vigiá-la,
isto é, fazer vigília por ela,
isto é, velar por ela,
isto é, estar acordando por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que pássaros sem vôos.
Por isso se escreve, por isso se diz,
por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que quer guardar.
(Antonio Cícero)
Queridíssimo...
Tens o dom de transformar cada
segundo em um momento inesquecível.
Guardo-te, e Cuida-te!
Bjos no seu coração.

terça-feira, 7 de julho de 2009

dedico esta canção especialmente à "Amizade" que está muito além do Continente de São Pedro...



Tendo A Lua
Composição: Herbert Vianna/Tet Tillett

Eu hoje joguei tanta coisa fora
Eu vi o meu passado passar por mim
Cartas e fotografias gente que foi embora
A casa fica bem melhor assim
.

O céu de Ícaro tem mais poesia que o de Galileu
E lendo teus bilhetes, eu penso no que fiz
Querendo ver o mais distante e sem saber voar
Desprezando as asas que você me deu

Tendo a lua aquela gravidade aonde o homem flutua
Merecia a visita não de militares,
Mas de bailarinos
E de Você e Eu

Eu hoje joguei tanta coisa fora
E lendo teus bilhetes, eu penso no que fiz
Cartas e fotografias gente que foi embora.
A casa fica bem melhor assim

Tendo a lua aquela gravidade aonde o homem flutua
Merecia a visita não de militares,
Mas de bailarinos
E de Você e Eu...

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Quanta Gentileza...

"...COMO TODO O SABOR DO NOVO,
RARO SABOR IMAGINÁRIO DE MORANGO.
DEIXA SEMPRE COM MUITA ÁGUA NA BOCA,
ENTRE O DOCE E O AMARGO,
O DOCE DA ATITUDE
E O AMARGO DO FORTE GÊNIO..."

Encontra-se cada pérola... e...
Só posso agradecer e retribuir...
.
"Esses moços, pobres moços
Oh! Se soubessem o que sei
(...)
Eu peço
A esses moços
que acreditem em mim
Se eles julgam que há um lindo futuro
Só o amor nesta vida conduz
(...)"
.
Bjos no seu coração!

domingo, 5 de julho de 2009

Quem nunca ganhou "uma pedra"?

'Você lembra do diálogo em que Charlie Brown
sai com os amigos para pegar doces na noite
de Halloween?
(no episódio da "grande abóbora")

LINO – “Eu ganhei um caramelo”.
LUCY – “Eu ganhei um pirulito”.
PATTY PIMENTINHA – “E você, minduim, o que você ganhou?”
CHARLIE BROWN – “Eu ganhei uma pedra...”

'

A Garotinha Ruiva

por Eduardo Nasi

A importância de Charles M. Schulz para o mundo ainda está para ser mensurada, e sinceramente me parece improvável que se possa medir o efeito de pílulas de melancolia distribuídas diariamente para milhões de pessoas ao redor do mundo pelos jornais... Essa análise será realizada por mais e mais artigos e teses em disciplinas diversas. (1)Por hoje, vamos nos ater à garotinha ruiva. A garotinha ruiva é o amor de Charlie Brown (2) e uma das personagens mais marcantes de toda a série Peanuts. Apesar disso, teve uma única aparição, no especial de TV "It's Your First Kiss, Charlie Brown", de 1977 - ainda por cima, contra a vontade de Schulz. Nesse especial, ela ganha um nome, Heather, e uma personificação. Contudo, na tira de jornal, a garotinha ruiva nunca apareceu. É apenas mencionada. Não tem nome: é a garotinha ruiva. As conseqüências de um amor distante, idílico e enigmático podem ser decifradas pelo leitor sem esforço. É o medo de "chegar", mais uma frustração da vasta coleção que Charlie Brown montou a partir de sentimentos dos ocidentais. Os sofrimentos do jovem Charlie são muito próximos com os de um certo Werther. Ocultar personagens é uma prática comum em Peanuts (referência ao apelido de Charlie Brown; no Brasil, Minduin). Os adultos são retratados apenas por suas pernas, como se seu mundo fosse alto, inalcançável. Esse recurso, já utilizado em animações como Tom & Jerry, revigora-se com a inclusão de uma fala enrolada, incompreensível. É como o Deus hebraíco que não pode ser visto por humanos em sua grandiosidade e usa o anjo Metatron para intermediar a comunicação. A partir daí, pode-se pensar que, se os personagens entendem a voz dos adultos e nós não, nós somos diferentes deles. Os adultos emitem uma mensagem que é decodificada pelos personagens de Schulz, que retransmitem a nós de uma forma que podemos compreender. Schulz esboça, enfim, uma parábola sobre a função da arte para Aristóteles. A arte é simulação e imitação, e os personagens nos imitam e simplificam para que possamos depreender como é a vida dos adultos. De certa forma, um leitor dos Peanuts nunca será realmente um adulto (naquele sentido pai de família sério e responsável do american way of life), e a tira tenta nos traduzir esse mundo. Schulz, como todo grande ficcionista norte-americano, parece saber que esse mundo é falso. Mas, diferentemente dos colegas que escrevem grandes romances para quebrar os cristais da sala, Schulz não o mostra. No fim das contas, é porque ele não existe. O mesmo acontece com a garotinha ruiva invisível. O amor perfeito e idílico, inalcançável, não é uma realidade para Schulz. Nem para nós, criados à sua sombra.

--- NOTAS PERTINENTES:
(1) Do jeito que vai, todo o esforço de Schulz parece invalidado aqui no Brasil por uma banda de rock que, ao se propôr herdeira de Charlie Brown, faz-se de filho rebelde e lamentavelmente vai contra tudo o que o pai construiu.
(2) Alguns chamariam esse amor de "platônico", mas hoje sabe-se que o amor de Platão, tal qual deve caber a um bom grego, jamais seria dirigido a garotinhas ruivas. Por que vocês acham que essa grandiosa civilização acabou?

sábado, 4 de julho de 2009

Estou Além - António Variações

Não consigo dominar
Este estado de ansiedade
A pressa de chegar
P'ra não chegar tarde
.
Não sei de que é que eu fujo
Será desta solidão
Mas porque é que eu recuso
Quem quer dar-me a mão
.
Vou continuar a procurar
A quem eu me quero dar
Porque até aqui eu só:
Quero quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi
.
Esta insatisfação
Não consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder
.
Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P'ra outro lugar
.
Vou continuar a procurar
A minha forma
O meu lugar
Porque até aqui eu só:
Estou bem aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde eu não estou

Homem Bomba... de Chocolate!

Explosão de Doçura!!! Super-Herói, com "passinhos de bebê"...
Gosto muito de direcionar e dedicar textos às experiências que vivo com pessoas queridas e especiais, mas o "Homem Bomba de Chocolate" supera. Já foi "D. Quixote" e "pouco mais que menino" no Blog, "Riobaldo" num conhecidíssimo site de relacionamentos e, por incrível que pareça, carrega "nos seus ombros de gigante", e no seu nome, um adjetivo que lhe cabe muito bem!
Parece ele o "sonho" da "Mulher Bem Amada". Segundo a referência do próprio, sobre si: "ser pau-pra-toda-obra, segurar a barra e não bambolear na hora do aperto...", estas virtudes ele tem. Oh, Céus?! Precisa mais? Realmente, precisa! E ele tem.
Asseguro esta afirmação baseada nas dores que nos causamos "dores". Você deve estar questionando: Dores? Onde dói? Como dói? Porque dói? Que dores são essas?
Pois bem... Exercitem suas prodigiosas imaginações. Somente asseguro que, assim como o amor, a amizade também tem seus flagelos e momentos íntimos. Ao menos, é este o caso.
Humm, parece erótico?! Serão Mordidinhas? Que delícia! [risos].
A maturidade nos proporciona uma vivência repleta de cumplicidades. Num final de tarde, em qualquer noite, ao meio-dia ou no meio de uma madrugada. Sem hora determinada. Duas, três horas, ou mais, já que somos, em afinidade, incansáveis, resistentes, jovens, solitários, humanos e carentes de mais e mais.
Existe, logicamente, um momento próprio, em que a corda arrebenta, não necessariamente do lado mais fraco, porque não temos esta distinção e a força não nos coíbe, mas existe consenso quanto a hora de parar. Parafraseando o cartunista Quino: "Não há chefe. Somos uma cooperativa!". E é isso que nos une e fortalece: compreender os limites do outro e o que isso representa nos momentos de compartilhar.
Satisfação! Gentilezas verdadeiras! "Gosto muito", "Adoro-te", "É muito especial", "Cuide-se", "Fique bem","Sinto saudade"... dentre outras. É prazeroso ter liberdade para dizer e ouvir o que sentimos e saber das reciprocidades. É a certeza de que haverão outros momentos iguais ou melhores!
Me sinto semelhante àquela que não dorme sem o som e o balanço das águas e o "Homem Bomba de Chocolate", provavelmente, se sente um roedor incendiário, que só quem tem um dom ancestral consegue entender, escutar e interagir. [risos].
Compartilhamos daquela confortável cadeira em desuso, presa pelos cadarços, a espera de Van Gogh e Delacroix. Afinal, Somos incompreeendidos pelo mundo mas compreendidos um pelo outro. Admiramos, da mesma maneira, o "mofo" do teto sobre nossas cabeças. E não ouse tentar corromper ou contrariar nossas idéias, insinuando apenas uma proliferação de fungos. Somos sensíves ao ponto de perceber nuances de Van Gogh e Delacroix sobre nossas cabeças. O que você entende como uma bobagem sem sentido, chamamos de arte!
Bjos no seu coração.

Você sabe o que é um passeio socrático?

Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos em paz em seus mantos cor de açafrão.
Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares,
preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam.. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente.
Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?'
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e
perguntei:
- Não foi à aula? Ela respondeu:
- Não, tenho aula à tarde. Comemorei:
- Que bom! Então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde.
- Não, retrucou ela, tenho tanta coisa de manhã...
- Que tanta coisa?, perguntei.
- Aulas de inglês, de balé, de pintura, natação, e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação!'
Estamos construindo super-homens e supermulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados. Por isso as empresas consideram agora que, mais importante que o QI, é a IE, a Inteligência Emocional. Não adianta ser um superexecutivo se não se consegue se relacionar com as pessoas. Ora, como seria importante os currículos escolares incluírem aulas de meditação!
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito.
Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos:
- Como estava o defunto?
- Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!
Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?
Outrora, falava-se em realidade: análise da realidade, inserir-se na realidade, conhecer a realidade. Hoje, a palavra é virtualidade.
Tudo é virtual. Pode-se fazer sexo virtual pela internet: não se pega aids, não há envolvimento emocional, controla-se no mouse.
Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra!
Entramos na virtualidade de todos os valores, não há compromisso com o real! É muito grave esse processo de abstração da linguagem, de sentimentos: somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais.
Enquanto isso, a realidade vai por outro lado, pois somos também eticamente virtuais...
Cultura é o refinamento do espírito.
Televisão, no Brasil - com raras e honrosas exceções -, é um
problema:
a cada semana que passa, temos a sensação de que ficamos um pouco menos cultos. A palavra hoje é 'entretenimento' ; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela.
Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, vestir este tênis,­ usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!'
O problema é que, em geral, não se chega!
Quem se deixa iludir desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, se sente louco porque não faz parte da neurose coletiva. Os psicanalistas - que também desejam 'ter' e não se satisfazem com o que são, o que amam, o que fazem - tentam descobrir o que fazer com o desejo dos seus pacientes.
Eu, que não sou da área, posso me dar o direito de apresentar uma sugestão. Acho que só há uma saída: virar o desejo para dentro. O grande desafio é gostar de si mesmo, começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor.
Aliás, para uma boa saúde mental, três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Se alguém vai à Europa e visita uma pequena cidade onde há uma catedral, deve procurar saber a história daquela cidade - a catedral é o sinal de que ela tem história.
Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shopping centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingos.
E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas... Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista.
Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus, como os que outrora foram convencidos a comprar a própria absolvição. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do McDonald's.. .
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta
das lojas:
- Estou apenas fazendo um passeio socrático.
Diante de seus olhares espantados, explico:
- Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça
percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: 'Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz.'
*Frei Betto - Autor, em parceria com Luís Fernando Veríssimo e outros, de 'O desafio ético' (Editora Garamond), entre outros livros. Frei dominicano. Escritor.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Um pouco de História - Túnel do Tempo(síntese): Do "Pré" ao "Pós"... Moderno...

O homem desenvolveu a ciência através da sua curiosidade, pela observação e perseverança, para adquirir também domínio do conhecimento, mesmo que sem o uso de um método científico, a partir da pós-modernidade. Os principais entraves do homem, nesta sede de saber, diziam respeito as limitações do mundo geográfico e a utilização dos mitos na falta de lógica.
Uma referência, certamente, foi a Biblioteca da Alexandria. Além de ser o núcleo de grandes estudiosos como Ptolomeu, Heneu, Hiparco e Arquimedes, dentre outros, era também o centro de estudos, onde ficavam escritos os conhecimentos em papiro. A Biblioteca da Alexandria chegou a armazenar 500 mil obras, e podiam ser reproduzidas, tanto as obras já armazenadas quanto as coletadas pelos passantes. Se tratava, de um centro de conhecimento aberto a todos, exceto aos escravos.
A destruição da Biblioteca da Alexandria sepultou obras da Antiguidade Clássica e os principais acontecimentos de toda a História da Cultura. Como afirmou Carl Sagan: "Existem lacunas na História da Humanidade que nunca poderemos vir a preencher."
Segundo algumas fontes preservadas, o incêndio arrasador fez-se numa invasão árabe, em 642 d.C., a mando do Califa Omar, perante a afirmação: "Se os escritos dos Gregos concordam com as Sagradas Escrituras, não são necessários; se não concordam, são nocivos e devem ser destruídos.", referindo-se as Escrituras do Corão.

A partir do século IV d.C. a Igreja ganhou força ao ser elevada a religião oficial do Império Romano. Neste momento ela passou a ser o centro de detenção e razão do conhecimento, fato que perdurou durante grande parte da História da Humanidade. Ou seja, havia conhecimento, porém enclausurado nos muros da Igreja, - proibindo o estudo do corpo humano - o que restringia o desenvolvimento da medicina, dificultando esclarecimentos geográficos, - atribuindo-se a Deus todas as explicações necessárias quanto a crença de que a Terra era o centro do Universo.
No princípio da Pré-Modernidade o homem que produzia ciência contava, como já descrito, apenas com curiosidade, observação, intuição e perseverança. Conquistou ele, mesmo assim, várias descobertas; algumas comprovadas e outras refutadas, sendo perfeitamente justificável devido a ausência dos métodos e a atribuição dos mitos. Foi, então, no fim do período pré-moderno que o homem começou a acreditar na sua potencialidade, intensificando precisão e ousadia através de, embora ainda primitivos, indícios de preocupações com os métodos utilizados, com o predomínio da razão.
Assim, no século XV, iniciou o período de transição e eis a Modernidade: grandes navegações, renascimento, heliocentrismo, reforma protestante e finalmente, a invenção da imprensa e a disseminação do conhecimento.
Com o desenvolvimento do conhecimento científico foi possível aos homens o questionamento dos paradigmas da Igreja, como as indulgências, o celibato e os altos impostos cobrados.). Tais questionamentos geraram a Reforma, na qual Calvino e Lutero foram os mais importantes líderes. Houve, então, a cisão da Igreja Católica e o surgimento de outras Igrejas, resultando, como resposta da Igreja Católica, a sua Contra-Reforma, com o surgimento da Companhia de Jesus.
Podemos descrever a sequência histórica como um "surto de invenções", a se destacar o uso do telescópio, a ampliação das universidades, da medicina, a expansão geográfica e muito mais. O homem, com suas potencialidades e a auto confiança desenvolvidas, produziu os métodos necessários, os quais, mesmo sem abandonar as crenças, lhe permitiu a liberdade de escolha. (livre-arbítrio)
O homem se descobre, finalmente, o senhor do seu destino e seu enfoque passa a não ser mais no alto - Deus a coisa mais importante - mas a sua própria valorização ao encontrar explicações para coisas que antes eram atribuídas ao divino. O homem assume, de frente, o conhecimento científico e o poder daí advindo, com exatidão... e cá estamos nós hoje, os Pós-Modernos, como sempre, entre os mitos e as ciências...

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Falando Sério...



Falando Sério
Composição: Mauricio Duboc - Carlos Colla

Falando sério
É bem melhor você parar com essas coisas
De olhar p'ra mim com olhos de promessas
Depois sorrir como quem nada quer

Você não sabe
Mas é que eu tenho cicatrizes que a vida fez
E tenho medo de fazer planos
De tentar e sofrer outra vez

Falando sério
Eu não queria ter você por um programa
E apenas ser mais uma em sua cama
Por uma noite apenas e nada mais

Falando sério
Entre nós dois tinha que haver mais sentimento
Não quero seu amor por um momento
E ter a vida inteira p'ra me arrepender

Quem Diria?!

"N'esta matéria de que somos
feitos seres humanos,
existe uma energia,
mais preciosa que ouro,
que se esconde no seu interior."
(Theilhard de Chardin)


quarta-feira, 1 de julho de 2009

Universal e Particular

Aristóteles, na sua conhecida obra "Poética", afirmou que "a poesia é mais filosófica e séria do que a História, pois aquela fala principalmente do universal e a História, por vez do particular." Por 'universal', na obra de Aristóteles, se entende como o que determinado indivíduo dirá ou fará das coisas segundo a verossimilhança ou necessidade; sendo esse mesmo o propósito da poesia: acrescentar aos devidos nomes às suas personagens. Já por 'particular' se trata do que fez e pelo que passou o indivíduo."
Quando Aristóteles, de certa forma, descartou a universalidade da História, certamente estava entre aqueles que, muitos tempos depois, Darnton referiu como "o público", no seu desabafo, em "O Beijo de Lamourette". Segundo Darnton, "os historiadores voltam desse mundo como missionários que partiram para conquistar culturas estrangeiras e retornam convertidos, rendidos à alteridade dos outros." De acordo com o pensamento de Darnton, quando retomamos (historiadores) a "nossa rotina diária, às vezes contamos entusiasmados nossas histórias ao público. Mas poucos param para ouvir. Como o velho marinheiro, falamos com os mortos, porém temos dificuldade em nos fazer entender entre os vivos porque para eles somos maçantes."
De fato, é assim que me sinto: maçante. Exatamente como um velho marinheiro ao mar, no balanço das águas e nos rumos dos sopros, ou suspiros, do vento.
Quando despida da 'universalidade' dos fatos envolvo-me na fina roupa íntima e 'particular', trancafiada à mais absoluta redução, privada das palavras mas nunca das sensações.
De nada vale exteriorizar em versos, e referir personagens, num épico drama ou êxtase de realidades. Prefiro meu real, já que sei que no mundo inteiro existe a mesma dor e alegria, todos os tempos. O que discordo de total maneira é que não possa ser o contrário. Asseguro que Aristóteles concordaria hoje, mesmo que relutante, com as possibilidades de ambas, Poesia e História, tratando do que fez, passou, alem das verossimilhanças.
É no íntimo e privado que precisamos dar o referido título de personagem, já que o que encanta a poesia é o justo, ou impróprio, intimismo para, então sim, num segundo momento, possibilitar a qualquer continente a sua particularidade de sentimento humano, seja no sucesso ou no fracasso. Seja no amor, seja na crise economica, ou nas guerras por expansão e religião. Enfim, para que, em qualquer desconforto ou estado de graça, seja em uma centelha atemporal, universal ou particular.
Na História é assim: o herói sem chão, desconsolado com a derrocada de seu reino, o operário desmoralizado, idealizando um dia possuir riqueza, mesmo sem pão.
Como o repouso sem glória após uma luta insustentável, assim são os amores da poesia, como são as guerras da História.
Estou certa das universalidades e certa das particularidades de ambas. Estas, de fato, existem e não cabe ao poeta, ao filósofo, ou ao Historiador apontar de quem será o direito de narrar, argumentar, fabricar ou qualquer verbo sinônimo de exteriorização. Quem melhor pode fazê-lo é quem vive, quem sente e quem, se não vive ou sente, é capaz de sensibiliza-se com as faces abstratas ou concretas da vida.
"La vida es sueño" já dizia o poeta. Ela é ambiguidade e dicotomia. Poesia, história, filosofia, matemática, física e tudo que cabe nela. Poesia é arte, História é arte e, por isso, universais e particulares, de todos, para todos, e como a vida, são tudo que cabe nelas.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Pouco mais que menino...

Gigante de Goya

Pouco mais que menino, tornarei público o teu diálogo, pois quando acreditei que havia encontrado um caminho, o chão começou a se abrir e desde então me engole lentamente.
Com um pouco de sorte, se um dia te ausentares, ficarão marcas possíveis de cicatrizar, como a maioria das marcas que trago comigo até agora. Marcas, essas tão profundas, a fazer da minha prudência a minha mordaça. Uma paralisia prudente que deixa para amanhã tudo o que devo ao dia de ontem. Abrupta e intempestiva quisera eu ser, na necessidade de te dizer, sem precisar explicar...
Pouco mais que menino, ou segundo o próprio, ...'um homem que sustenta um amor com ombros de gigante...'.
Pouco mais que menino, não por mais tempo sustentarás sobre os ombros um fardo de amor, como o de um Sísifo exaurido. Generoso, na sua maneira mais precisa e segura, tens consigo uma luz suave e cuidadosa, capaz de remover, a cada gesto ou pensamento, a 'pedra de uma tumba', esquecida.
Pouco mais que menino, 'tentando ser homem perfeito' àquelas que são meras meninas, e enquanto isso... Onde andará a dama 'romântica e inteligente' para inspirar-se e inspirar-te no seu 'conhecimento filosófico e científico? Onde estará ela, a desejar dançar contigo ao som das tuas poesias'? Onde andará a dama que te guiará ao 'caminho das pedras'? Onde andará aquela que 'não te deixará de lado com a metafisica'? Será ela generosa o suficiente para compartilhar contigo 'a moral, alem de Kant', ou de quem quer que seja? Ou será ela, de tal modo, perspicaz para conduzir ao teu lado os argumentos e relações de um discurso de frequência e lógica?
Pouco mais que menino, a sua ausência, em algum lugar pouco distante, é sentida.
Pouco mais que menino, apressa teus passos, antecipa tua chegada, fixa tua presença e cancela tua partida.
Em algum momento, pouco mais que menino, já encontrastes tua dama e será fácil reconhece-la no caminho, desde que estejas verdadeiramente disposto a percorre-lo, acompanhado dela, durante toda a tua existência.
.
Esse Cara (Caetano Veloso )
"...Ah, esse cara tem me consumido
A mim e a tudo que eu quis
Com seus olhinhos infantis
Com os olhos de um bandido...
Ele está na minha vida
porque quer
Eu estou para o que der e vier
Ele chega ao anoitecer
Quando vem a madrugada
Ele some
Ele é quem quer
Ele é um homem e eu sou apenas uma mulher..."

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Amor Menino...

Nossa! Não há nada de meu aqui...
Venho apenas parafrasear algumas coisas que já não sei se são sermões de Padre Antônio Vieira ou lúcidos delírios de Rotterdam à sua deusa "mor".
Enfim, na minha inconstância de pensamentos e momentos desencadeei minha pandorinha, no fundo já sem a esperança, apenas para alertar que Deus, sabiamente fez o amor menino. Gasta-se com o uso, e é como as linhas que partem do centro para a circunferência, que quanto mais continuadas, tanto menos unidas. Note, desenhe, visualize esta metáfora.
Afirmo: "...gasta-se o ferro com o uso, que dirá corações de cera..." (ou de carne?! ou gelo?!...)
O amor é sabiamente menino porque não há garantia nenhuma de haver durado muito.
Um dos citados já dizia que "ter amado muito é a causa de amar menos".
No meu caso, para tantos, o meu muito foi pouco. O mesmo pouco, porém, que a tantos outros bastaria, e há ainda os quais nem este muito ou este pouco conhecem.
São certas as reflexões que trouxeram Pe. Antônio Vieira e Rotterdam ao meu pensamento.
No Sermão do Mandato, Vieira refere-se as quatro ignorâncias que podem acomenter o amante ao amor diminuto, imperfeito e desmerecido.
Alerta-te pois elas são: "...ou porque não conhecesse a si; ou porque não conhecesse a quem ama, ou porque não conhecesse o amor; ou porque não conhecesse o fim onde há de parar, amando."
Pe. Vieira também menciona o amor de Cristo, e o seu calvário:
"Fez das ofensas obrigações e dos agravos motivos."
O amor é portanto, tudo presente em mim. Ele sou eu e o que os gregos chamam "Moria".
Agora, que sabes o nome, podes esboçar-me com palavras, sem fingimento ou dissimulação.
Despeço-me aqui, tal qual fez Rotterdam em 1508, dirigindo-se ao seu sapientíssimo amigo Thomas: "Defendei cuidadosamente esta Loucura que vos pertence!"
Bjos no seu coração.

Perdão, Quixote!



"...haverá um céu azul..."

assim como o amor não sabe a força que tem
você não sabe a importância que você tem!
Bjos no seu coração.

Carinhosamente,

"Petite Fleur" (rsrs...)

domingo, 28 de junho de 2009

Mulher Bem Amada

"Me desculpem aqueles que acreditam que mulher feliz é mulher bem resolvida na cama. Mulher feliz é mulher bem amada. Porque sexo é algo fácil de conseguir, mas amor já é outra história.
Para “se dar bem na cama” basta a mulher encontrar um "cara" que saiba o caminho das pedras, que “o lance” rola que é uma maravilha.
Se "bobear" é bem provável que a melhor transa nem tenha sido com você. Já parou para pensar nisso?
Sim, pode ser que “o cara” que a fez morder a fronha tenha sido um simples amor de verão. Mas não se preocupe, porque ela jamais irá contar este segredo enquanto te amar. E não se preocupe, porque uma mulher quando ama e se sente amada, acaba fazendo deste amor um tudo em sua vida.
Então pode ter certeza que para ela você será o “O Cara”. Aquele que com um simples toque consegue fazê-la gozar. E ela goza porque vem do coração, daquela coisa de olhar dentro dos olhos e ver como ela se sente feliz. Só que não adianta ficar feito um "bobão", repetindo o tempo todo “Eu te amo! Eu te amo, meu amorzinho”, porque muito mais que ouvir, as mulheres precisam sentir que são amadas!
Não existe nada mais chato para uma mulher do que ter que repetir pela milésima vez:
“Sim, meu amor, eu sei que você me ama!”.
É preciso mimar, ser gentil, e a melhor forma é fazer com que saiba que está sempre em sua mente e coração. Mimar é surpreender com pequenos gestos, que por mais que pareçam insignificantes para você, para uma mulher faz toda a diferença.
Por mais que as mulheres gostem de falar, colocar pra fora o que sentem, basta um simples bilhetinho, deixado do lado do seu travesseiro ou dentro da agenda, com um coração desenhado para entenderem o que você quer dizer.
E veja como as coisas são interessantes: justo você, que sempre teve uma grande dificuldade em falar "eu te amo" e nunca soube como convencê-la de que ela é a mulher de sua vida, com um pedacinho de papel de pão, com um desenho mal rabiscado, será capaz de dissipar boa parte de suas dúvidas.
E quando estiverem na fila do cinema, esperando em uma fila enorme, tente sussurrar em seus ouvidos algo como "a cada dia eu te amo mais...”.
Mas tem que ser assim: mantendo a pose, sem dar uma de afetado, olhando para a frente, como se aquilo que acabou de falar fosse a coisa mais simples deste mundo.
Ah, meu amigo, saber que é amada em momentos tão sem importância faz com que uma mulher se sinta nas nuvens. Sim, eu sei que uma declaração de amor, fazendo cara de santinho é muito fácil, mas isso é muito comum! “O lance” é surpreender!
Isso quer dizer que não é para repetir a dose o tempo todo!
O que deixa uma mulher mais balançada: um presente no dia do seu aniversário, ou uma grata surpresa num dia qualquer?
Como ela se sentiria se, depois de chegar em casa, cansada, depois de um dia péssimo de trabalho, achando que aquele seria mais um dia monótono como os outros, você aparecesse com um lindo presentinho, algo que, mesmo simples, há muito tempo ela queria tanto?
Só um grato sorriso de mulher amada já faz valer o esforço!
E não bastam presentes e surpresas românticas, porque uma mulher quer também um “Cara” que seja "pau pra toda obra", do tipo que estará ao seu lado em todos os momentos, não só dando apoio, mas tomando as rédeas da situação quando ela fraquejar. Sim, porque nenhuma mulher (normal) quer um “frouxo”, sem iniciativa, que na hora do “pega-pra-capar” se manda.
O tempos mudaram, as mulheres cada vez mais se igualam aos homens em tudo, mas no fundo só queremos um "porto seguro" para chamar de nosso..."
"Um homem para chamar de seu".
Fonte: em algum lugar bem distante....

Carta aos Suícidas (trechos)

"(...) O eterno recomeço presume que houve um fim. Mas o fim não se anunciou, o fim não findou. O fim fingiu, transformou-se, se extraviou entre nós para seguir. Sentimos isto pelo peso das manhãs que se dividem entre o amor e o tédio, entre o álcool e os poemas, entre as promessas de futuro e o passado sempre refeito. Para nós que somos jovens, a verdade é que a águia está em nosso fígado e a pedra em nosso ombro. E é verdade que há desassossego e há um constrangimento amadurecido se entranhando onde o vento voa, sobre o chão que é comum a todos e fervilha. O sol em nós revira e a escuridão não cede. Os panos estão frios e o que estava embaixo deles veio à tona. (...)E vem a lua brilhar nossas unhas de arranhar amuradas, brilhar nossas pernas e nossos pés cor de estrelas. Não estamos, mesmo assim, mais cansados. Saltamos mais uma vez dentro do olho veloz do descentrado ciclone (...) reinventando nossos caminhos.
E vamos fazendo barulho já que nos cabe sacudir o pó no imenso tapete da história e varrer o charco frio até onde os olhos alcançam. Damos a mão, em meio à noite, aos pesadelos sem reparos e vamos para junto da pilha dolorosa dos remorsos e dos medos e descemos as escadas que nos levam ao ainda mais escuro, mais sem ar, ao mais instantâneo dos desabrigos: ao crítico desespero que desce da lágrima e se levanta para o assombro. São milhões os que não comem. São milhões os que não podem saber. São milhões os que não sabem, de fato o que está se passando enquanto o desencanto é disseminado.
E mesmo por isto, é preciso ordenhar esta pedra oca e suas gêmeas tetas que nos são oferecidas antes e depois do túnel, para que algo fisgue nossa consciência crispada e um arrepio irrigue nossa pele quando formos vistos caminhando (...). É nos seus lábios que tocamos, entre a ferrugem da doce (...) saliva (...); e são seus olhos que fechamos, hirtos e trêmulos, quando tateamos nas paredes do labirinto (...). Assim, tudo em nós indica que já basta. A pedra da ordenha, aquela que dá leite talhado e salobro, é a que carregamos às costas como Sísifo. Tudo o que tocamos, derramamos. E o que derramamos não tem remédio e nem remediado está. Pisoteamos não apenas no que resta - nas migalhas dos nosso sonhos e na utopia tênue - mas na possibilidade também dos nossos restos ainda restarem. Da nossa horda, da nossa tribo, surgiu a pele do cordeiro e o corpo do lobo alucinado. Em sua mirada estão os olhos que nos cabem olhar, para entender que o mito (...) vai transgredir noite à dentro. E vai beber da água proibida. E vai cheirar o céu no espelho. Para encurtar as distâncias enquanto as pedras continuam rolando. É a fome do corpo e do espírito que está nos rondando e a ela se deve uma resposta que todos os calendários rodando não conseguiram dar.
Por conta desta fome de sentido, muitos de nós permitiram que os dias e noites passassem como folhas em branco. Nó na garganta da noite, de braço com o desterro, soluçamos tantas vezes acuados pela dúvida: (...) os cílios cintilantes de nossos amores, irão dominar nossa fera sem sono? Os que perderam sua juventude, já não se colocam dúvidas. Caíram em uma armadilha aconchegante onde não queriam estar e de onde não podem mais sair. O malogro o suplantou. A mediocridade os nivelou. Olhamos para eles, (...) e vemos que, de perto, eles são normais. Foi por isto que (...) cedeu à tentação da pólvora e tudo o que ela impulsiona. (...) recortavam o conformismo e não cederam aos padrões (...) não queria ser transformado em um sonâmbulo e sua estrada recém se anunciava pela poeira (...). A pedra da vida que se ordenha pesou demais sobre seus ombros de Sísifo exaurido.
Todos nós levamos às costas, por nós e por todos os que se despedem e se anunciam, o pó, a caliça, o ferimento caloso da experiência, prosseguida e perseguida, sem sabermos por quanto tempo. Desejamos durar enquanto durar a águia e a pedra e isto é só um desejo. Mas o que é maior ou menor que um desejo? Todos nós carregamos os destinos esquecidos, o lamento dos atordoados pássaros abatidos na madrugada, o ranger de dentes nos manicômios, a sinfonia dos ossos nos cárceres, o choro dos homens e das mulheres. Lutar contra esta herança já é o bastante (...). Já é um sentido, se temos fome.
Quando o poeta russo Sierguéi lessiênin se matou, escreveu com o sangue dos pulsos o poema "Até logo, companheiro". Na última estrofe ele diz: "Adeus amigo, sem mãos nem palavras. /Não faças um sobrolho pensativo/ Se morrer, nesta vida, não é novo/ Tampouco há novidade em estar vivo/." Maiakovsky lhe respondeu dizendo: "É preciso arrancar alegria ao futuro /Nesta vida, morrer não é difícil./ O difícil é a vida e seu oficio." Talvez, para que seja possível prosseguir vivendo, devamos unir os Sísifos (...) lutar por um mundo melhor, compartilhar com tantos outros pulsos o desejo de rolar esta pedra até o cume, para recomeçar tantas vezes quantas forem necessárias, é só uma forma de inventar a vida, de atribuir a ela um sentido radicalmente humano. A todos nós, cabe arrancar a alegria dos dias que virão, tornando-a presente e concreta, como a névoa de um bar, como o orvalho sobre a relva, como a primavera em nosso olhos."
Marcos R. 1998.

sábado, 27 de junho de 2009

NA MARGEM DO RIO PIEDRA...

...eu me sentei e chorei...
Conta a lenda que tudo que cai nas águas deste rio
- as folhas, os insetos, as penas das aves
- se transforma nas pedras do seu leito.
AH, QUEM DERA EU PUDESSE ARRANCAR O CORAÇÃO
DO MEU PEITO E ATIRÁ-LO NA CORRENTEZA,
e então não haveria mais dor, nem saudade,
nem lembranças.
Ás margens do rio Piedra eu me sentei e chorei.
O frio do inverno fez com que eu sentisse as lágrimas
em meu rosto, e elas se misturaram com as aguas geladas
que correm diante de mim. Em algum lugar este rio se
junta com outro, depois com outro, até que
- distante dos meus olhos e do meu coração
- todas estas águas se misturam com o mar.
Que as minhas lágrimas corram assim para bem longe,
para que meu amor nunca saiba que um dia chorei por ele.
Que minhas lágrimas corram para bem longe,
e então eu esquecerei do rio Piedra, do mosteiro,
da igreja nos Pirineus, da bruma,
dos caminhos que percorremos juntos.
Eu esquecerei as estradas, as montanhas,
e os campos de meus sonhos
- sonhos que eram meus, e que eu não conhecia.''
(Paulo Coelho - tem seu valor...rsrs...)

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Prosperidade

Do dia de amanhã nunca se esquece,
Assim como não se esquece e
Não se apaga da memória a alegria ou o descontentamento
Nem tampouco dos momentos vividos a sós
Ou compartilhados ontem.
Muitas dificuldades, certamente, enfrentamos,
Muitas lutas, certamente, vencemos.
Há os momentos repletos de demontrações de afeto,
Momentos de coragem e ousadia,
Como há os momentos cheios de angústia
E cheios de dor.
Para que serve todo aquele ontem?
Prova e comprova a existência!?!
Intensifique-se no hoje,
Mesmo que nem tudo seja excelente, agora.
Para que o amanhã seja belo e não haja o perecer ontém,
Faça valer a permanência bela por muitas eternidades,
Já que é assim que nossa alma prospera.
Bjo no teu coração!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Fue Amor - Fito Paez (Vivo)



Fué Amor
Composição: Fito Paez

Yo podría haberlo hecho mejor
Vos podrías acercarte a mí
Yo intuía que esto mi amor
Se rompía y esto es siempre así
La verdad es que todo fue
Tan extraño, tan extraño al fin
Vos buscando el polvo de dios
Yo bebía para irme de aquí

Cada vez que pienso en vos
Fue amor, fue amor

Todo el mundo me habla de vos
Y no puedo dejar de reír
Lo que hacés y adonde vas
De tu depto siempre a Prix d´ami
No esta bien romper un corazón
Déjà vu de lo que va a venir
Vos querías verme feliz
Yo quería verte revivir.

Cada vez que pienso en vos
Fue amor, fue amor, (bis)
---------------------------------------
Estos días que corren mi amor
Es aquí que nos toco vivir
Enredados en los cables de Entel
De algún sueño vamos a salir
Como siempre vuelvo a ensayar
Y los pibes siempre están ahí
Hay un boomerang en la city mi amor
Todo vuelve como vos decís
Cada vez que pienso en vos
Fue amor, fue amor

quarta-feira, 24 de junho de 2009

E você, sabe amar? rsrsrs...

Ruiva: - Mas ele treme enquanto come!
Loira: - Tolere um pequeno problema neurológico.
Ruiva: - Mas cai comida!
Loira: - Admire a beleza dos arrozinhos esparramados pelo seu bem.
Ruiva: - Mas ele peida enquanto dorme!
Loira: - Aceite suas manifestações involuntário-intestinais.
Ruiva: - Mas fede!
Loira: - É bom saber o que ele come.
Ruiva: - Mas ele chora quando goza!
Loira: - Ora, é um homem sensível.
Ruiva: - Mas isso é bizarro!
Loira: - Faça uso do seu instinto maternal.
Ruiva: - Mas ele diz "bejão" nos e-mails" !
Loira: - Uma despedida com aumentativos tem seu valor.
Ruiva: - Mas é até sem "i"!
Loira: - Aposto que o teclado dele está com problemas.
Ruiva: - Tá, desisto!
Loira: - Você não sabe amar!

terça-feira, 23 de junho de 2009

segunda-feira, 22 de junho de 2009

domingo, 21 de junho de 2009

Dormindo ou Acordado? rsrs...

"Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem garanta que nem todas,
só as de verão.

No fundo isso não tem importância.
O que interessa mesmo não são as noites em si,
são os sonhos.

Sonhos que o homem sonha sempre.
Em todos os lugares,
em todas as épocas do ano,
dormindo ou acordado."
( Shakespeare)

sábado, 20 de junho de 2009

Quixotesca


Utópica e solitária
uma otimista
cheia de conflitos
cheia de dor.

Cega de reflexos alheios
metaforizada pelos espelhos
de lentes abstratas que
não são, mas transportam.

Sem-sentidos
imagens e representações
de si e do outro
dentro e fora, em ambos.

Espelho inverso
espelho da diferença
caos, clareza e temor.

Espelho de anseio externo
mal-entendido e incompreendido
mas que em tudo reflete.
(eu)

quinta-feira, 18 de junho de 2009

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Ser feliz...

Escrevo para não gritar...

"São tão simples e tão complexos!...
Se quero ser fêmea
E possuir com paixão,
Quero também ser menina,
Que em braços fortes
Se aloja.

Uma mulher que sonha,
Que deseja,
Que dá de si mesma
Tudo quanto pode,
Tudo quanto deve,
Tudo quanto sabe.

Uma mulher que beija
E se deixa beijar.
Que ama
E se deixa amar.
Que possui
E se abandona.

Quero ser tudo e ser nada,
Ser amada em madrugadas
E acordar aninhada
Em braços firmes,
Protetores e senhores.

Sei que sou contradição
Pois vivo de paixão
E por carinhos incontáveis
Quero me deixar.
São esses
Meus desejos de mulher.

Quem, Senhor,
Poderá assim me amar?!!!"

(Letícia Thompson)

terça-feira, 16 de junho de 2009

Metade



Importante escutar... muitas vezes e sempre!
INTENSAMENTE...

segunda-feira, 15 de junho de 2009

As Ruivas e o Plano de Dominação Mundial (Adaptado)


Antes de começar a falar sobre o Plano de Dominação, vou explicar rapidamente o que é obsessão.

As obsessões são idéias ou imagens que vem à mente da pessoa repetidamente, de maneira insistente e independentemente de sua vontade.
Os temas dessas idéias obsessivas podem ser extremamente variados, entretanto, em grande número de vezes dizem respeito à higiene, contaminação, transmissão de doenças, bactérias, vírus, organização de coisas, catástrofes, desastres, pecados, incertezas, etc. Embora a pessoa ache esses pensamentos incômodos e absurdos, não consegue evitar de pensá-los.
Entendido? Então vamos voltar ao assunto.

As Ruivas são a forma de vida com mais fogo, beleza, inteligência, charme, gentileza e força da face da Terra.
A beleza de uma Ruiva vermelho sangue pode complicar a vida de muitas pessoas. As Ruivas são unidas e muito inteligentes.
Então, CUIDADO, elas dominarão o mundo e NINGUÉM será poupado!
Muito menos VOCÊ!

Quando o mundo estiver dominado e obcecado, as Ruivas irão conquistar outros planetas, construindo assim um Sistema Vermelho.
Para dominar todo o Universo, elas utilizarão raios laser e armadilhas nos olhos, algemas e mordidas por todo corpo, gracejos como bombas atômicas, e ainda outros tipos de armas próprias.

Esteja Pronto!

domingo, 14 de junho de 2009

Dia dos Namorados, Noite dos Solteiros...

"Ver é processo físico. Enxergar é processo mental.
Ouvir é processo físico. Escutar é processo mental.
Compreende a diferença?"
Por maiores que sejam os esforços, será quase impossível me fazer entender e não passarão de meras divagações sobre os verbos e os sentidos.

As primeiras palavras são as mais difíceis e muito mais para tratar de momentos que a grande maioria não viveu.
Não creio existirem dois momentos como o meu. Aliás, como o meu e o de Charlie Brown. (para preservar a identidade do responsável pela magia que sei que até o final deste texto não conseguirei descrever.)

O fato, em si, é que na simplicidade de um menino-homem aprendi a importância da sutil diferença entre "Ver e Enxergar, Ouvir e Escutar".

Não que as desconhecesse, mas esquecia e não sentia. Eram, para esta "Garotinha Ruiva", apenas olhos e ouvidos, visão e audição. Sem coração, sem sangue, sem pele e com pouco sentimento.

Em suma, o que emerge é meu sentimento de admiração pela delicadeza das palavras, ainda mais, esta sendo tão rara no que toca esses "meninos-homens" de hoje.

Charlie Brown, no entanto, não é "um desses". Charlie Brown me deixa "tão emocionada, tão impressionada e com vontade de correr e dar um graaande abraço nele".
Ele sabe disso!

Hoje, o beijo no coração é só para você, Charlie Brown!

sábado, 13 de junho de 2009

Romântica...

















rsrsrs...
Bjos no seu coração!
quem quer que você seja!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Mafaldinha....

só você...
kkkkk...



Bjos no coração de todos!
Enamorados ou não...
(fundamentalmente, enamorem-se pela vida!!!)

quarta-feira, 10 de junho de 2009

terça-feira, 9 de junho de 2009

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Eu conheço este outro mundo...



Esse Outro Mundo
Composição: Leoni

Eu conheço esse outro mundo
Onde o tempo não dissolve
Eu te conquisto sempre
Você sempre me comove
Eu conheço esse outro mundo
Essa outra porção do espaço
Onde eu me sinto livre
Aprisionado nos seus braços...

O quanto a gente se beija
Nesses verões emocionais
Nesse vulcão de desejos
Nessas tormentas tropicais
O quanto a gente se beija
Nesses verões emocionais
Nesse vulcão de desejos
Nessas tormentas tropicais

Pouco a pouco eu me transporto
Pela porta do teu corpo
Pra esse outro mundo que eu conheço
Dos deuses de carne e osso
Eu conheço esse outro mundo
Esse eterno mundo em transe
Te amo tanto e tanto e tanto
Não sei mais quem já fui antes...

Tantos outros mundos
Tanto pra nós dois
Entre tantos mundos
Entre e deixe o mundo pra depois...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

HOMENAGEM - Carmelina -

A calma e a paz que você merece!

viveu... intensamente,
amou... incondicionalmente,
partiu... serenamente.
como é... como deve ser...
me despeço, saudosa, mas certa do nosso reencontro.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

2 p lá, 2 p cá...

.ooo
.(...).........................."A tua voz me acalmava.
..)..(.ooo..................São dois prá lá,
........(...)..................Dois prá cá..."
.........)..(.................Beijos no seu coração!!!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Eu sou importante para mim...

As Doze Promessas de Co-DA

1- Reconheço que não estou só e que meus sentimentos de vazio e solidão vão desaparecer.
2- Não sou controlado(a) por meus medos. Eu supero meus medos e ajo com coragem, integridade e dignidade.
3- Experimento uma nova liberdade.
4- Liberto-me da preocupação, da culpa e da lamentação quanto ao meu passado e ao presente. Eu me mantenho o suficientemente atento(a) para não repetir.
5- Experimento um novo amor e uma nova aceitação por mim mesmo(a) e pelos demais. Eu me sinto genuinamente merecedor(a) de ser amado(a).
6- Aprendo a me ver igualmente aos demais. Em minhas novas e renovadas relações são baseadas na igualdade de ambas as partes.
7- Sou capaz de desenvolver e manter relações saudáveis e amorosas. A necessidade de controlar e manipular os outros desaparecerá na medida em que eu aprenda a confiar nas pessoas dignas de confiança.
8- Aprendo que é possível recuperar-me e converter-me numa pessoa mais amorosa, mais íntima e capaz de oferecer apoio apropriado. Eu tenho a escolha de comunicar-me com minha família de uma maneira segura para mim e respeitosa para eles.
9- Reconheço que eu sou uma criação única e preciosa.
10- Não dependo unicamente dos demais para poder me sentir valioso(a).
11- Tenho a confiança de que meu Poder Superior me guia. E venho a acreditar em minhas próprias capacidades.
12- Experimento gradualmente em minha vida SERENIDADE, FORÇA INTERIOR e CRESCIMENTO ESPIRITUAL.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Bandolins...



Bandolins
Composição: Oswaldo Montenegro

Como fosse um par que
Nessa valsa triste
Se desenvolvesse
Ao som dos Bandolins...

E como não?
E por que não dizer
Que o mundo respirava mais
Se ela apertava assim...

Seu colo como
Se não fosse um tempo
Em que já fosse impróprio
Se dançar assim
Ela teimou e enfrentou
O mundo
Se rodopiando ao som
Dos bandolins...

Como fosse um lar
Seu corpo a valsa triste
Iluminava e a noite
Caminhava assim
E como um par
O vento e a madrugada
Iluminavam a fada
Do meu botequim...

Valsando como valsa
Uma criança
Que entra na roda
A noite tá no fim
Ela valsando
Só na madrugada
Se julgando amada
Ao som dos Bandolins...

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Todos Estão Surdos



Todos Estão Surdos
Composição: Roberto Carlos / Erasmo Carlos

Desde o começo do mundo
Que o homem sonha com a paz
Ela está dentro dele mesmo
Ele tem a paz e não sabe
É só fechar os olhos e olhar pra dentro de si mesmo

Tanta gente se esqueceu
Que a verdade não mudou
Quando a paz foi ensinada
Pouca gente escutou
Meu Amigo volte logo
Venha ensinar meu povo
O amor é importante
Vem dizer tudo de novo

Outro dia, um cabeludo falou:
"Não importam os motivos da guerra
A paz ainda é mais importante que eles."
Esta frase vive nos cabelos encaracolados
Das cucas maravilhosas
Mas se perdeu no labirinto
Dos pensamentos poluídos pela falta de amor.
Muita gente não ouviu porque não quis ouvir
Eles estão surdos!

Tanta gente se esqueceu
Que o amor só traz o bem
Que a covardia é surda
E só ouve o que convém
Mas meu Amigo volte logo
Vem olhar pelo meu povo
O amor é importante
Vem dizer tudo de novo

Um dia o ar se encheu de amor
E em todo o seu esplendor as vozes cantaram.
Seu canto ecoou pelos campos
Subiu as montanhas e chegou ao universo
E uma estrela brilhou mostrando o caminho
“Glória a Deus nas alturas
E paz na Terra aos homens de boa vontade

Tanta gente se afastou
Do caminho que é de luz
Pouca gente se lembrou
Da mensagem que há na cruz
Meu Amigo volte logo
Venha ensinar meu povo
Que o amor é importante
Vem dizer tudo de novo.